Monday, June 11, 2007

Novas esperanças

(Bacon)


Na semana passada realizou-se em Chicago o congresso anual da American Society of Clinical Oncology. Dos estudos apresentados destaco os referentes a dois importantes anticorpos
monoclonais (ja anteriormente falei deles aqui)
Estudos com o trastuzumab (Herceptin) demonstraram uma redução sustentavel no número de mortes causadas pelo cancro da mama em doentes HER2 positivas, quando detectado precocemente, sem risco de doença cardiaca ao longo do tempo. O herceptin liga-se as células cancerigenas HER2 positivas e avisa as defesas do organismo para a atacarem e eliminarem e por outro lado, cre-se que inibe a própria celula cancerigena de crescer e se dividir.
De acordo com um estudo clinico a adição do bazacizumab (Avastin) à quimioterapia usada para tratar o carcinoma avançado das células renais duplica o periodo de sobrevivencia sem reincidencia da doença. Estes dados representam um grande passo no tratamento deste cancro tão dificil de tratar. O Avastin tem como alvo o factor de crescimento endotelial vascular responsavel pela neo-angiogénese inibindo assim o formação de vasos sanguineos essenciais ao crescimento dos tumores. O avastin é já usado no tratamento do cancro metastizado do colon-rectal e do pulmao.

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Tuesday, March 20, 2007

Novas fronteiras

(Foto obtida em www.foresight.org)


Está em desenvolvimento um robot do tamanho de um comprimido, que viaja pelo corpo à procura de células cancerosas. O robot terá a capacidade de encontrar tumores no organismo e transmitir os seus achados a um computador em tempo real. Terá também uma video-câmera para capturar cerca de 40000 imagens do intestino. As imagens sao imediatamente transmitidas a um computador, não sendo assim necessário recapturar o little bogger para o estripar e obter as chapas, e aquele simplesmente é eliminado naturalmente pelo corpo. Brilhante!
(Faz-me lembrar uma cena do excelente filme The Island, com a Scarlet boazona como sempre e o jeitosaço do Ian McGregor a mijar uns roboticos todos marados... )
(In Anova 30/1/2007)

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Monday, January 29, 2007

Alerta vermelho

(Yongkai)
De acordo com um estudo prospectivo (Arch Intern Med 2006;166:2253-9), o consumo de carne vermelha aumenta o risco de cancro da mama (hormone-receptor-psitive) em mulheres na prémenopausa. Sdurante 12 anos 90659 mulheres na fase da premenopausa foram acompanhadas, 1021 casos de carcinoma invasivo foram registados. Um consumo maior de carne vermelha foi significantemente associado com cancro da mama com estrogénio e progesterona receptores-positivo (n=512) mas nao com estrogenio e progesterona receptores-negativos (n=167).

Mais uma razão para reduzir o sofrimento dos bichinhos!...

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Tuesday, November 14, 2006

O futuro do tratamento do cancro

(Grimando)

De acordo com o Office for National Statistics, uma em três pessoas em Inglaterra desenvolverão cancro ao longo das suas vidas. Karol SiKota, director médico da CancerPartnersUK, indica qual o futuro para o tratamento do cancro.
A maioria dos cancros é incurável, mas avanços tecnológicos e uma melhor compreensão da biologia molecular poderão mudar esta realidade. Espera-se que o tratamento cirurgico invasivo seja subbstitudo ao longo dos próximos 50 anos por biopsias robôticas e nanotecnologia, permitindo a preservação de tecidos e órgãos. Doses únicas de radioterapia especificamente dirigidas ao tumor poderão ser administradas em unidades com base na comunidade. Ao longo dos próximos 20 anos, a terapia intravenosa tradicional (quimioterapia) mudará para anticorpos monoclonais especificos, terapia genética e vacinas contra o cancro (ja está disponivel a vacina contra o cancro do colo do útero e algumas formas de cancro do pénis), sendo a quimiorterapia reservada para os cancros com metastases.
Devido a uma população envelhecida e melhorias nos métodos de detecção, estima-se que o mercado global do cancro triplique até 2010. Os laboratórios estãao a investir fortemente em terapias biológicas especificas e o grande desafio dos Sistemas Nacionais de Saude será manter os custos a niveis praticáveis.
Uma maneira será investir em métodos de diagnostico. Análises que indiquem a predisposição de determinada pessoa desenvolver certo cancro podem identificar precocemtne doentes que beneficiarão de quimioprevenção, disse o Professor Sikota. A avaliação dos riscos, como acontece para as doenças cardiovasculares, tornar-se-á uma componente essencial da prevenção do cancro.
A monitorização clinica da quimiotarappia poderá ser realizada por farmacêuticos clinicos da mesma maneira que a pressão arterial e o colesterol são monitorizados. biomarcadores farmacodinâmicos e parametros de predição de toxicidade especifica para cada doente poderão ser usados para decidir a dose mais eficaz e com menos efeitos tóxicos e desperdicios. Marcadores de eficacia clinica poderão indicar precocemente a eficácia e a necessidade de continuar o tratamento. Tais meios de diagnóstico serão não invasivos, fáceis de usar e baratos, revolucionando assim o tratametno do cancro.
Espera-se que por volta de 2026 estejam implementados programas personalizados de prevenção do cancro usando biomarcadores. Podemos assitir ao surgimento de "cancer hotels" como parceria entre o sector privado e o NHS. Posteriormente, farmaceuticos clinicos poderão controlar a terapia do cancro à medida que este se torna uma condição crónica e controlável.

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Wednesday, September 13, 2006

Cancro e Genética

(Wright of Derby)


Um dos grandes dramas da quimioterapia é que nunca se sabe se aquela vai funcionar para determinado doente ou não. Apesar de as guidelines estarem definidas e indicarem tratamentos a seguir em caso de os anteriores terem falhado, estas indicações baseiam-se em estudos populacionais e na experiência clinica. No entanto, uma nova fronteira no tratamento de carcinomas está a ser explorada. O novo paradigma de tratamentos baseia-se na genética e tem por objectivo descobrir, para determinados genes, quais os tratametos mais eficazes. Tal significa que, em vez de se tentar os diferentes tratamentos, se faça o mapa genético do doente e de acordo com ele, saber quais os tratamentos que terao mais eficácia. Além disso, com este tipo de conhecimento, podem desenvolver-se medicamentos que actuem directamente nas moléculas que esses genes expressam aumentando a aficácia da quimioterapia convencional.
A base molecular da resistência à quimioterapia para o carcinoma pulmunar de células pequenas (células em forma de grão de aveia), foi identificado pelos investigadores do Cancer Research UK. Esta descoberta poderá levar ao desenvolvimento de medicamentos que combatam este tipo de resistências nesta e outras formas de cancro (EMBO Journal 2006;25:3078).
Os tumores com a proteina chamada factor de crescimento-2 dos fibroblastos (FGF-2) são mais resistentes ao tratamento, dizem os pesquisadores. "O estudo do FGF-2 levou-nos ao conhecimento de outras moléculas necessárias para que a resistência aos tratamentos de quimioterapia ocorram, particularmente uma molécula chamada S6K2. Esta molécula parece regular um número de proteinas que decidem se uma célula deve ou não morrer. É também essencial para a resistência apresentada pelo carcinoma pulmunar das células pequenas", disse Julian Downward, o director do laboratório de transdução do Cancer Research UK.
Os investigadores explicaram que apesar de alguns medicamentos que bloqueiam a acção da FGF-2 estarem já em desenvlvimento, porque esta molécula desempenha também importantes funções nas células saudáveis, o seu bloqueio pode produzir sérios efeitos secundários nos doentes.
A S6K2 desempenha menos funções nas células saudáveis, o que significa que a sua inibição podem pode ser uma maneira eficaz de combater a resistência aos tratamentos.

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Thursday, July 27, 2006

Duras Realidades


(da le Pena)


Vi-a hoje pela primeira vez. É linda. Arrasta consigo sem esforco uma beleza mediterranea, diria mesmo um pouco selvagem. Tem apenas dezasseis anos. Pouco mais que uma crianca.
A mae é de origem portuguesa mas expressa-se num castelhano perfeito, nao percebe o que se passa. Esta a estudar ingles, diz-me, mas ainda nao é suficiente para entender esta conversa complicada dos médicos. Fala por entre o nó apertado na garganta, porque é que as amostras de sangue tiveram de ir para Londres? ... só pode ser mau sinal. Nao dormiu nada esta noite, disse, mas nao precisava. Os olhos vermelhos e marejados, que agora contem as lágrimas com esforco, denunciam horas de incertezas e de sofrimento. Porque é que as amostras foram para Londres? É assim tao grave? O que é que ela tem?
Digo-lhe que como a muida tem apenas dezasseis anos as amostras tem de ser vistas por um oncologista pediatra. Que por agora sao apenas suspeitas. É apenas meia verdade. Nao lhe digo que a suspeita recai sobre Leucemia Mieloide Aguda. E que de qualquer maneira, neste caso, as amostras vao sempre para Londres para determinar o subtipo de leucemia, que determinará o tipo de tratamento. Ainda nao sei o que o médico lhe disse, por isso nao lhe quero dar muita informacao, que apenas aumentará a ansiedade. Por enquanto é apenas uma suspeita. Oxalá nao passasse disso...

Informacao sobre leucemia no Wikipedia

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