Thursday, December 01, 2005

Compras

A loja, Marc Chagal
Na praca central, um edificio alto, de construcao relativamente recente, alojava a maior mercearia do povoado. Ali se podia encontrar um pouco de tudo, à maneira antiga. A fazer-lhe concorrência, a mercearia do tio Bravo, um pouco mais modesta, ficava já no Bairro de Cima. Os habitantes desse lado, na sua maioria Cabroes, em vez de descerem às Fontes faziam preferencialmente as suas compras ali, desde que o preço fosse favorável.
Além destes dois interpostos principais, na Praça, a caminho da igreja, o Café Liberal, num pequeno anexo, oferecia mais uma oportunidade de escolha.
O custo das coisas era discutido com fervor, comparavam-se cuidadosamente os preços e a diferença de poucos escudos justificava que a compra se fizesse na mercearia concorrente. Além disso, aquando de uma compra, o preço era discutido com o comerciante e amplamente regateado. Por vezes, a compra só se realizava após extensas negociações em que alguns “milreis” eram subtraídos ao valor inicial. O comerciante lá fazia o favor, ficava a perder, mas como era para uma boa cliente…apenas pedia que não comentasse o desconto com mais ninguém pois a fazer o mesmo a todos certamente iria à falência.

14 Comments:

Anonymous rps said...

Eu lembro-me de ver, em miúdo, os "grandes" a regatear preços e até era em meio urbano (Porto-Gaia). Via, mas nunca aprendi. Nunca consegui regatear. E nunca conseguiria vender o que quer que fosse...

(entretanto, esse Café Liberal não era aquele conhecido por outra designação brejeira?...)

12:27 PM  
Blogger romero said...

Un texto sencillo que me hay hecho tener recuerdos pasados :)
muy bueno
besito

1:02 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

Ola Romero, bem vindo!

Rps, nao esse outro era o Cafe Goncalves, mais conhecido por "O Piroca". O Cafe Liberal era conhecido como "O Patudo"... nao sei porque!
Tambem nunca aprendi a regatear...

Abracicos!

1:09 PM  
Blogger Pinto Ribeiro said...

boa tarde Rosário. Abracikos.

1:11 PM  
Blogger Pedro Nobre said...

Caros amigos,

Apareçam NA ESCURIDÃO DA NOITE, e deixem as vossas mensagens de SOLIDARIEDADE.

Todos juntos em prol do mesmo rumo...

Pedro Nobre ;)

1:26 PM  
Blogger Dinada said...

Às vezes 'nostalgias-me', Rosário. Ao mesmo tempo que dói estar longe, é tão enriquecedor.
Lembro-me da minha casa em Estocolmo, desta época que é vivida por eles duma forma hiper intensa, em que tudo naquela cidade é bonito...

Se algum dia pensares em lá ir tens duas escolhas: ou o início do Verão ou esta época natalícia. Ambos soberbos!

Beijo, querida!

1:28 PM  
Blogger pirata vermelho said...

alguns milreis ou alguns tostões?
olha que...era!

VOU!
para trás-os montes.
vaizaver...

1:33 PM  
Blogger eduardo waghorn said...

Siempre te leo, trato de mejorar mi portuguéz, jaja.
Un beso para tí, estas en mi link de Poemas y Antipoemas.
Kiss you...
Saludos desde Chile!

1:42 PM  
Anonymous zezinho said...

Não sei regatear. Por isos mesmo não regatearei elogios ao teu espaço que gosto muito de visitar.
Beijinho Rosário

5:00 PM  
Blogger Susana Barbosa said...

Regatear, uma palavra engraçada, que me traz à memória as feiras! bem precisamos hoje de regatear por melhores dias...

1:35 AM  
Blogger Pinto Ribeiro said...

Bom dia e abracikos. bjinhos.

9:23 AM  
Blogger frog said...

Sôtos - mercearias da aldeia

9:42 AM  
Anonymous Ana Amorim said...

As compras ... e os presentes de Natal!!!
Festa de carinho e amizade ou de simbolismo da sociedade moderna??? ..., onde o capitalismo e a Coca-Cola transformaram o Pai Natal num ser materialista...!!!
Melodramática eu?
Um beijinho... Tutueee!!!

1:46 PM  
Blogger frog said...

Eu para as minhas aquisições natalicias optava sempre pelo sôto do "tio Roque" ao pé do sôto do "Bravo" no Bârr de cima. Tinha lá o melhor polvo fumado da região e, "pressupuesto" dos arredores... até à Vila.

6:16 PM  

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