Wednesday, December 06, 2006

Os pobres coitados e o Monstro

Doente no seu leito e Apotecario preparando remédio- Le Livre des Proprietés des Choses


Quando falei com mãe Joaquina, ela estava quase sem fala. Tinha ido aviar a receita para o medicamento do colesterol e tinha deixado na Farmácia mais de 80 euros (duas caixas, preço ao utente depois do desconto para pensionistas!!!!) ! Eu até estou pasmada!- dizia-Oitenta euros, tu ja viste bem? para o colesterol!
Indignei-me eu também. A estatina em questão existe como genérico e não há razão nenhuma, a não ser secretos e escuros interesses, para alguém dar essa dinheirama toda. Aqui o generico desse medicamento (e mesma dose) custa £3.60! Não sei o preço em Portugal mas não deve andar muito longe disso... um pouco mais elevado, talvez! Creio que da próxima vez que for a Portugal terei de ter uma conversa clinica e civilizada com o médico de familia.
Por outro lado, leio nos dados oficiais do Department of Health que a prescrição de genéricos na época 2005-2006 em Inglaterra foi de 81%! Enquanto no nosso triste pais se insiste na (conveniente) dúvida sobre os genéricos, aqui pensa-se em estratégias para aumentar ainda mais a percentagem de prescrição dos mesmos.
Note-se que a prescrição de genéricos não pode atingir os 100%, uma vez que há medicamentos que possuem diferentes bioabilidades, isto é, há um pequeno número de medicamentos (teofilina, nifedipina, diltiazem, etc) cujas diferentes marcas têm diferentes caracteristicas e mudar entre eles provoca diferentes niveis do principio activo no sangue. Há ainda outros medicamentos, tais como os usados para as doenças inflamatórias do intestino que possuem caracteristicas especificas e os comprimidos desagregam-se em partes determinadas do intestino. Excepto essas situaçoes, não há razão nenhuma para deixar de prescrever um genérico quando disponivel.
O SNS é um monstro com muitas cabeças mas completamente acéfalo... e ninguém consegue colocar-lhe uma coleira para dominar o bicho... e porque há uma (mais uma vez conveniente) falta de informação, os utentes não reclamam os seus direitos e não usam a melhor arma que se pode ter: o poder de decisão sobre o próprio tratamento, o que aqui chamamos "patient empowerment".

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Tuesday, November 14, 2006

O futuro do tratamento do cancro

(Grimando)

De acordo com o Office for National Statistics, uma em três pessoas em Inglaterra desenvolverão cancro ao longo das suas vidas. Karol SiKota, director médico da CancerPartnersUK, indica qual o futuro para o tratamento do cancro.
A maioria dos cancros é incurável, mas avanços tecnológicos e uma melhor compreensão da biologia molecular poderão mudar esta realidade. Espera-se que o tratamento cirurgico invasivo seja subbstitudo ao longo dos próximos 50 anos por biopsias robôticas e nanotecnologia, permitindo a preservação de tecidos e órgãos. Doses únicas de radioterapia especificamente dirigidas ao tumor poderão ser administradas em unidades com base na comunidade. Ao longo dos próximos 20 anos, a terapia intravenosa tradicional (quimioterapia) mudará para anticorpos monoclonais especificos, terapia genética e vacinas contra o cancro (ja está disponivel a vacina contra o cancro do colo do útero e algumas formas de cancro do pénis), sendo a quimiorterapia reservada para os cancros com metastases.
Devido a uma população envelhecida e melhorias nos métodos de detecção, estima-se que o mercado global do cancro triplique até 2010. Os laboratórios estãao a investir fortemente em terapias biológicas especificas e o grande desafio dos Sistemas Nacionais de Saude será manter os custos a niveis praticáveis.
Uma maneira será investir em métodos de diagnostico. Análises que indiquem a predisposição de determinada pessoa desenvolver certo cancro podem identificar precocemtne doentes que beneficiarão de quimioprevenção, disse o Professor Sikota. A avaliação dos riscos, como acontece para as doenças cardiovasculares, tornar-se-á uma componente essencial da prevenção do cancro.
A monitorização clinica da quimiotarappia poderá ser realizada por farmacêuticos clinicos da mesma maneira que a pressão arterial e o colesterol são monitorizados. biomarcadores farmacodinâmicos e parametros de predição de toxicidade especifica para cada doente poderão ser usados para decidir a dose mais eficaz e com menos efeitos tóxicos e desperdicios. Marcadores de eficacia clinica poderão indicar precocemente a eficácia e a necessidade de continuar o tratamento. Tais meios de diagnóstico serão não invasivos, fáceis de usar e baratos, revolucionando assim o tratametno do cancro.
Espera-se que por volta de 2026 estejam implementados programas personalizados de prevenção do cancro usando biomarcadores. Podemos assitir ao surgimento de "cancer hotels" como parceria entre o sector privado e o NHS. Posteriormente, farmaceuticos clinicos poderão controlar a terapia do cancro à medida que este se torna uma condição crónica e controlável.

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Friday, September 15, 2006

AIDS- vacina à vista?

Cientistas estão a investigar vários compostos que imunomodulam as células denditricas de modo a desenvolver imunoterapia para o HIV, indica um estudo apresentado na Conferência Internacional da AIDS em Toronto, no mês passado.
Os investigadores colheram células denditricas de pessoas com HIV-1 e individuos não infectados, e trataram as células com imunomoduladores para descobrir quais dos agentes levaria as céculas dendriticas a produzir interleucina-12 e assim estimular os linfócitos T killer contra o antigene viral.
"Este modelo de activação dos linfócitos Tk fornece a base para ensaios clinicos sobre imunoterapia em pessoas com infecção pelo HIV-1" dizem os autores.
Eles identificaram combinações de agentes (trimerico recombinante CD40L (Amgen)±interferão-gamma, e 1:C-poly-agonista da TRL3+interferão-gamma+ interferão-alfa) que se mostraram os mais potentes imunomoduladores das células denditricas.
Charles Reginaldo, da Universidade de Pittsburgh, Pensilvania, e director do projecto, comentou:"O objectivo é ensinar os linfócitos Tk a detectar, encontrar e destruir as células infectadas com HIV com mais eficácia. A nossa vacina, como imunoterapia, tem como alvo o virus que está envolvido na infecção de cada individuo que está a ser tratado. As células denditricas do próprio doente em conjunto com os antigenes virais únicos constituem os elementos da vacina".

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Wednesday, September 13, 2006

Cancro e Genética

(Wright of Derby)


Um dos grandes dramas da quimioterapia é que nunca se sabe se aquela vai funcionar para determinado doente ou não. Apesar de as guidelines estarem definidas e indicarem tratamentos a seguir em caso de os anteriores terem falhado, estas indicações baseiam-se em estudos populacionais e na experiência clinica. No entanto, uma nova fronteira no tratamento de carcinomas está a ser explorada. O novo paradigma de tratamentos baseia-se na genética e tem por objectivo descobrir, para determinados genes, quais os tratametos mais eficazes. Tal significa que, em vez de se tentar os diferentes tratamentos, se faça o mapa genético do doente e de acordo com ele, saber quais os tratamentos que terao mais eficácia. Além disso, com este tipo de conhecimento, podem desenvolver-se medicamentos que actuem directamente nas moléculas que esses genes expressam aumentando a aficácia da quimioterapia convencional.
A base molecular da resistência à quimioterapia para o carcinoma pulmunar de células pequenas (células em forma de grão de aveia), foi identificado pelos investigadores do Cancer Research UK. Esta descoberta poderá levar ao desenvolvimento de medicamentos que combatam este tipo de resistências nesta e outras formas de cancro (EMBO Journal 2006;25:3078).
Os tumores com a proteina chamada factor de crescimento-2 dos fibroblastos (FGF-2) são mais resistentes ao tratamento, dizem os pesquisadores. "O estudo do FGF-2 levou-nos ao conhecimento de outras moléculas necessárias para que a resistência aos tratamentos de quimioterapia ocorram, particularmente uma molécula chamada S6K2. Esta molécula parece regular um número de proteinas que decidem se uma célula deve ou não morrer. É também essencial para a resistência apresentada pelo carcinoma pulmunar das células pequenas", disse Julian Downward, o director do laboratório de transdução do Cancer Research UK.
Os investigadores explicaram que apesar de alguns medicamentos que bloqueiam a acção da FGF-2 estarem já em desenvlvimento, porque esta molécula desempenha também importantes funções nas células saudáveis, o seu bloqueio pode produzir sérios efeitos secundários nos doentes.
A S6K2 desempenha menos funções nas células saudáveis, o que significa que a sua inibição podem pode ser uma maneira eficaz de combater a resistência aos tratamentos.

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Monday, September 04, 2006

Medicamentos e Gravidez


(Klimt)

O uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) (Ex.: aspirina, ibuprofeno, diclofenac, etc) no primeiro trimestre de gravidez está associado com um aumento no risco de defeitos congénitos, sugere um estudo publicado online (Birth Defects Research, part2, 23 Agosto, www.interscience.wiley.com).
A análise dos arquivos de serviços médicos do Quebec e Canadá, mostrou que mulheres às quais foram prescritos AINEs durante o primeiro trimestre tiveram mais crianças com defeitos congénitos do que aquelas que não tomaram aqueles medicamentos (95%; intervalo de confiança:1.72-2.85). Os autores confirmam que defeitos congénitos relacionadas com obstrução do septo cardiaco estao associados ao uso de AINEs em estados iniciais da gestação (intervalo de confiança:1.87-5.98).
O estudo também revelou uma significante associação entre prescrições de Ibuprofeno no primeiro trimestre e o total de defeitos congénitos.
Em Inglaterra os Serviços Farmaceuticos em, cada hostpital oferecem um serviço de Informação de Medicamentos ao qual os doentes (e profissionais) podem recorrer em caso de dúvidas com medicamentos, incluindo o seu uso durante a gravidez. Existe ainda um centro hospitalar especializado no uso de medicamentos durante a gravidez (Newcastle regional MI)*. Ignoro se em Portugal existe um serviço semelhante, mas em todo o caso, as mulheres devem estar informadas acerca dos cuidados relativamente ao uso de medicamentos durante a gravidez. Muitos medicamentos não podem ou não devem ser usados, devendo ser encontrada uma alternativa segura. O médico assistente deve ser informado de todos os medicamentos usados pela grávida. Como sempre, o folheto informativo deve ser lido, e nunca se devem usar OTCs (medicamentos de venda livre) sem confirmar com um profissional indicado se o seu uso é seguro.

(Contactos de diversos centros de Infomação de Medicamentos especializados em www.ukmi.nhs.uk )

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