Sunday, March 04, 2007

Certeza


Sargent


Ontem passei o dia de babySitter. Teddy tem três anos e é reguila que se farta. Colorimos desenhos de barquinhos no mar, e palhaços multicolores e bichinhos a voar. Jogámos à bola e às cartas. Brincámos aos cavaleiros e aos power rangers. Lemos histórias que ele sabia de cor e brincámos às familias com um ursinho-pai, um ursinho-mãe e dois ursinhos-filhos. Depois do almoço ele achou que se limpasse a cozinha a mamã ía ficar feliz com ele por isso lá passou quase uma hora a polir o lava-louça, enquanto eu tomava um cafezito para repor as energias. Finalmente travamos uma batalha gigantesca com os dinossauros que aparentemente povoam a casa (alguns são bons, porque são vegetarianos, desses não tinhamos de fugir...).
No fim do dia fiquei com uma certeza absoluta: ser adulto é mesmo uma grande merda!

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Thursday, November 30, 2006

Faltam 25 dias

(Kinuthia)

Faltam 25 dias para o (f***ing) Natal...
... diariamente, morrem cerca de 25 000 crianças por esse mundo fora de doenças realacionadas com o consumo de água não potável. Mais de meio milhão que não verá o dia de Natal apenas por beber água suja... dá que pensar!
Hoje no Postais de Novalis fala-se do projecto Plan, um projecto que eu já apresentei aqui. E onde se pode fazer uma grande diferença. Não são necessários grandes gestos e grandes sacrificios para ajudar uma criança. E também se pode fazê-lo num local qualquer perto de casa, por exemplo hoje a Xica mostra uma boa maneira.

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Thursday, November 23, 2006

A minha Nina

(Hudson)


Na fotografia uma menina de expressão doce, sentada numa cadeirinha proporcional ao seu tamanho, olha como se não percebesse bem o que querem dela. Parece uma bonequinha arranjada para um qualquer dia de festa.
É a minha "Nina". Tem três anos e vive algures na Nicarágua, numa zona rural pobre, a cerca de 200Km de Manágua. Conheci-a através do programa "Sponsor a child" do Plan Uk e estarei em contacto com ela e com a familia dela atraves do programa.
O PLAN é um programa de apoio a crianças de áreas desfavorecidas, independentemente da raça, religião ou inclinações politicas. Fundado durante a Guerra Civil espanhola por um jornalista inglês, hoje trabalha em diversos paises da América do Sul, África e Ásia com uma filosofia muito particular. Em vez de focar a atençao numa criança em particular, o Plan trabalha em prol da comunidade, esforçando-se para atingir um desenvolvimento sustentado. Assim, entre outras actividades, o Plan fornece os meios e treino para:
- melhorar o acesso a água limpa,
- treinar profissionais de saúde e construir centros médicos,
- educar a população acerca de higiene e nutrição,
- treinar professores, forneccer livros e escolas,
- criar ambientes onde as colheitas sejam melhores,
- ajudar a instituir pequenos negócios para que as comunidades se desenvolvam do modo a tornarem-se autónomas e independentes do Plan.
Tivemos a sorte de nascer numa área do globo onde temos oportunidades, liberdade, sistemas de saúde, educação, protecção... mas podiamos ter nascido no Nenin, ou na Etiópia, ou na Guatemala ou em Timor. E ter de batalhar para obter um pouco de comida, sem ter água limpa para beber, sem sequer mesmo um pingo de esperança. Nao custa nada... e ajudar uma criança é ajudar a humanidade.

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Thursday, October 19, 2006

Crianças

(Foto da net)


Em resposta a um desafio lançado pelo bom Alquimista porque é muito importante e porque é responsabilidade de todos nós...


Há vinte anos...

Eram putos reguilas e atrevidos, de modos rudes, endurecidos por todo o tipo de privações, a pele curtida pelo sol e pelo frio. Usavam uma linguagem vernácula e agressiva, com uma terminologia soes, trazida de casa e das ruas, e cujo significado não podiam perceber. Muitos nasciam como coelhos selvagens, eram feitos e paridos pelos montes, desmamados à pressa e entregues aos cuidados do acaso. Conheciam os caminhos dos montes, as tocas dos lobos, as árvores e os penedos onde os pássaros nidificavam e os seus chamamentos, sabiam de cor os locais do rio a evitar. Sabiam como caçar coelhos bravos e perdizes, usavam fisgas e espingardas de pressão de ar para matar pardais, no rio pescavam peixes e caranguejos.
Logo que possível eram-lhes entregues responsabilidades e trabalhos de adultos, tratar dos animais, levar as ovelhas, as cabras e as vacas para os montes, apascentá-los antes da escola, ir recolhê-los depois das aulas, escavar a terra, arar. Tinham olhos agudos entalados em rostos angulosos, as narinas sempre muito encieiradas e obstruídas por um ranho esverdeado e muito espesso que limpavam à manga da camisola. Envolviam-se frequentemente em rixas provocadas por disse que disse e por complicados jogos de aferição de forças, comandados pelo instinto primordial da sobrevivência do mais apto.
Quais eram os nossos sonhos? Pertencíamos a uma geração perdida entre um passado marcado por misérias e um isolamento agreste e o vislumbre de outras realidades e de outros horizontes. Sonhar era um luxo que não nos era permitido. Qualquer demonstração de sonhos que se projectassem para além da realidade que era a nossa era esmagada com uma ferocidade acintosa e calcificada dos mais velhos. Era talvez uma espécie de protecção, um muro construído pelas próprias frustrações e pela constatação amarga que não se era mais do que pó que a terra dominava. E que qualquer tentativa de ter uma vida melhor era abrasada pela violência da realidade. Qual era o nosso futuro?...

Hoje, no século XXI continua a ser verdade, algures num outro ponto qualquer do globo. Fome, maus tratos, violência, abuso, exploração são realidades presentes nas vidas de inúmeras crianças. Apenas com o equivalente a três ou quatro cafés por mês, a UNICEF pode fazer uma criança sorrir (aqui é possível o donativo ser retirado directamente do salário, e fazendo a entidade empregadora dar parte do montante! eheheh!). Pensar no assunto apenas não chega... ajude hoje uma criança. Pelo direito a existir. Pelo direito a sorrir. Pelo direito a sonhar!

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Monday, August 07, 2006

Exercicio

(Gauguin)


As "Guidelines" actuais relativas a exercicio para criancas, emitidas pelo American College of Sports Medicine e pelo Health Education Authority do Reino Unido, recomendam cerca de 20 a 30 minutos diários de exercicio vigoroso ou uma hora de exercicio de intensidade moderada para manter a forca muscular, flexibilidade e saúde óssea.
De acordo com um estudo publicado na Revista The Lancet em Julho, as recomendacoes devem ser alteradas de modo a aumentar a actividade fisica das criancas para 90 minutos diários. Os autores, da Escola de Ciencias do Desporto da noruega, indicam que a aterosclerose se desenvolve desde tenra idade e a actividade fisica pode efectivamente reduzir este processo.
Numa sociedade em que cada vez mais as criancas estao confinadas a espacos exiguos, e os tempos livres sao passados preferencialmente em actividades que nao envolvem esforco fisico, tais como ver televisao, jogar video-jogos ou navegar na internet, é necessário que os pais tomem consciencia da importancia do exercicio e fomentem a sua prática. Há que voltar as raizes, por os putos ranhosos a jogar a bola, a andar de bicicleta e outros que tais. E mais, há que rever o ordenamento das nossas cidades que permite selvas urbanas de betao sem espacos verdes.

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