Saturday, December 03, 2005

Fado...



Viver no estrangeiro tem destas coisas... tenho saudades de Lisboa. De Fado. Hoje ouço este e tiro-lhe os acordes...


Fado da sina
Letra e música - Amadeu do Vale / Jaime Mendes

Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.

E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.

Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.


Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.

E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou.

8 Comments:

Blogger Miguel said...

Então Bom FDS e Bons Fados!

Bjks da Matilde

3:25 PM  
Blogger pirata vermelho said...

Fado português

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio

6:04 PM  
Blogger pirata vermelho said...

ouve cantado por uma mulher - amália, maria ana bobone, ana varela...

6:05 PM  
Blogger pirata vermelho said...

... também pode ser a mariza (embora eu a ache um pouco 'gráfica' demais)
mas NUNCA uma dulce pontos que fanou o poema e não é fadista

6:29 PM  
Anonymous rps said...

Eu não gosto mesmo nada de fado, embora reconheça que há fadistas meritórios.
Mas compreendo esses teus sentimentos. Pensop que se emigrasse iria, até, ter nostalgia com coisas que, tendo-as ao lado, me são desagradáveis ou, pelo menos indiferentes.
Se estivesse noutro país, acho, até, que seria capaz de ver um jogo do Benfica com simpatia...

9:11 PM  
Blogger Funes, o memorioso said...

Ai, coitada da Rosário!
Ensandeceu por causa das saudades. :)
Quer vir para sanatório da Gelfa comigo e com o Vasco Pulido Valente?
Não?
Então siga o conselho do Pirata Vermelho e ouça fado a sério. Na voz de Amália e com poemas de Régio, Camões ou Alexandre O'neil.

3:09 PM  
Blogger GNM said...

Eu não conheço o musica, mas o texto é lindíssimo!

Desejo-te um excelente resto de Domingo...

8:04 PM  
Blogger Pólux said...

Para ajudar a mitigar as saudades, deixo-te a "Gaivota", do Carlos do Carmo.

http://www.anos60.com/portugal/cancoes/carlos_do_carmo_gaivota.wma

**

11:50 PM  

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