Wednesday, September 07, 2005

Orfeu rebelde

Orfeu rebelde canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade de cada momento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e aterra, pedras conjugadas
Do moínho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências fanintas como há ternura.

bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntas à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.

Miguel Torga

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

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10:00 PM  
Anonymous Maria said...

Torga no seu melhor!... nao conhecia este, muito bom!

9:18 AM  

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