Thursday, September 15, 2005

EILHES TORNÁN IN MIRANDÉS

Decorreu hoje no El Corte Ingles em Lisboa, a apresentacao pública da tradução Mirandésa do livro "Asterix, L Goulés". Mal posso esperar por colocar as minhas unhas num destes... como mimo adicional, apenas Asterix e Obelix mantem os nomes originais, sendo o nome dos outros personagens adaptado ao mirandés.

Os livros do Astérix e do seu amigo Obélix estão actualmente traduzidos em 110 línguas e dialectos espalhados por todo o mundo, sendo esta tradução um passo importante para a divulgação da língua mirandesa, que se manteve isolada durante séculos nas aldeias do concelho de Miranda do Douro, e parte do concelho de Vimioso, sendo apenas transmitida de geração em geração por via oral. Actualmente a língua mirandesa está confinada a um universo de sete mil falantes de acordo com os últimos censos.

Nas várias edições livrescas de Astérix publicadas nas mais diversas línguas, na contracapa dá-se sempre nota das línguas em que a banda desenhada está traduzida, o que vem dar um novo alento ao mirandês - levando, assim, milhões de leitores a saber da existência de uma língua que se mantém viva num rincão do nordeste transmontano.

O Mirandés é uma língua de origem incerta mas possivelmente relacionada com o grupo Asturiano-Leones. Comecou a emergir como língua autónoma por meados do Séc. XII.

Para os filólogos, o mirandês revela-se em 1882, quando José Leite de Vasconcelos publica uma série de pequenos artigos no jornal O Penafidelense, intitulados "O dialecto mirandez (Notas glottologicas)" que são depois compilados no opúsculo O dialecto mirandez (contribuição para o estudo da dialectologia romanica no dominio glottologico hispanho-lusitano), editado no Porto. É nessa altura que, pela primeira vez, se noticia a existência, em Portugal, de um idioma que não é português nem galego, podendo-se "estabelecer que o mirandês pertence ao domínio espanhol, como próximo do leonês", porém com muitas interferências do português. Em 1900-1901 surge a obra do mesmo autor, em dois volumes, intitulada Estudos de Philologia Mirandesa, em que é descrita uma boa parte da gramática desse idioma e tratado o problemas das suas origens e filiação.

Em 1906, o sábio espanhol Ramon Menéndez Pidal publica El dialecto leonés, em que as similitudes existentes entre a fala descrita por José Leite de Vasconcelos e as falas do território leonês o levam a afirmar uma antiga pertença do mirandês a um domínio linguístico muito mais vasto que o seu pequeno território. Com isso fica demonstrada de modo claro a hipótese de filiação leonesa que José Leite de Vasconcelos timidamente avançara.
Ao longo do século XX, outros sábios abordaram as suas origens e descreveram aspectos do seu funcionamento. De salientar, José Herculano de Carvalho e António Maria Mourinho. Graças aos seus estudos e comunicações, a curiosidade relativamente ao mirandês não desapareceu de todo. Porém ela ressurgiu de uma maneira extraordinária nos últimos anos do século XX, sobretudo após o reconhecimento do Mirandês como uma outra língua oficial de Portugal.

16 Comments:

Blogger Maria Heli said...

Muito interessante este post!
Adoro Miranda do Douro e gosto do mirandês.
E, claro, tb sou fã destes dois!!!!Aliás, aprendi História nestes livros. E, já agora, uma confidência: sonho desde miúda com uma poção mágica, já que em bébé não caí num caldeirão...;)

2:00 PM  
Blogger Maria Heli said...

E...obrigada pelas tuas palavras, lá no meu sítio.E pelo teu blog sempre tão atractivo.

2:03 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

Ola Maria Heli!
Tao bom receber-te no I&I!
Eu nao cai no caldeirao mas as bruxas da aldeia assistiram ao meu nascimento (numa sexta-feira, e se calhar ate havia lua cheia!)...
Volta sempre! Eu vou continuar ansiosamente a esperar pelos teus posts!
Abracicos!

2:06 PM  
Blogger Pinto Ribeiro said...

...foi do autoretrato...eheheh...abracicos.

2:19 PM  
Blogger Pinto Ribeiro said...

...a gente adopta-vos lá no clube dos grunhos....o obélix é um nome respeitado lá no blogue...eheheheh...

2:21 PM  
Blogger O Micróbio said...

Informação linguística bem útil e esta iniciativa do "Astérix" é um passo de gigante para a sua divulgação. Ainda não está completamente debatida a questão das diferenças entre dialecto e língua... e o mirandês foi alvo dessa disputa. Mas o que é certo quer seja designada como língua ou dialecto tanto faz, desde que seja o fio condutor de uma cultura... é mais que suficiente!
Conheci o Prof. Herculano de Carvalho pessoalmente uns anos antes do seu falecimento, em Coimbra... uma pessoa sensacional e sempre dedicada à defesa das línguas.

2:36 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

Ola microbio!
Sim de facto esta publicacao é ouro sobre azul. Nao so para dar a conhecer a lingua a quem nunca teve contacto com ela mas tambem e sobretudo para diminuir a sensacao entre os mais novos que com ela contactam de que é uma lingua arcaica e ultrapassada. O mirandes representa uma heranca linguistica e cultural deve ser preservada e felizmente hoje em dia é ensinado nas escolas da regiao.
Abracicos!

2:45 PM  
Blogger Miguel said...

Ás vezes dava jeito era a Poção Magica do Asterix e do Obelix!

Bjks da matilde

3:09 PM  
Anonymous rps said...

Não sou apreciador de BD. Mas há uma excepção: Astérix.

Miranda é muito lindo. Ao contrário de Bragança, por exemplo.

Nada sei de mirandês, mas acho bem que, língua ou dialecto (no fundo, o que define uma e outro?...), seja preservado.
Mas de mirandês sabe o Everything in its right place. Vou já avisá-lo para vir aqui.

4:46 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá, Rosário!
Não te preocupes com o comentário (o primeiro) que fizeste no Vida de Cão ao post "Timbuktu". Tu não sabias, logo, não podias adivinhar o que se passava. Ainda por cima, não tive oportunidade de lá colocar uma foto do Aartois... Há-as noutros posts, se quiseres espreitá-lo. Acho que em "Cá vou indo", escrito em Agosto, se não estou em erro. E também noutros posts mais antigos!
Era lindo, era um grande cãopanheiro, era a minha sombra. Agora, eu e o Sancho (o mano dele) andamos meios perdidos pela casa, como se ele estivesse escondido a um canto e fosse, de repente, aparecer à nossa frente... Ficam as memórias, que são muito boas.

Um xi

Lésse

4:52 PM  
Anonymous Everything in it's Right Place said...

ehehe, e nao é que o RPS avisou mesmo!! :o)

não sei grande coisa de mirandes, apenas uma ou outra palavra.
mas tenho algum interesse por saber mais algumas coisinhas sobre essa NOSSA língua!

hoje, na praça da alegria estavam a dar 20 livros de desta nova tradução do asterix, nao ganhei nenhum, mas vou tentar apanha-lo!

5:54 PM  
Blogger Pinto Ribeiro said...

...o boi tá nos curros. abracicos.

6:36 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

Querida Lesse,
De facto não sabia o que se tinha passado. Lamento tanto que tenhas perdido o teu amigo! É

7:49 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

É que eles tornam-se de facto parte da família... só quem não gosta de animais é que não consegue perceber isso!
Abracicos!

7:53 PM  
Blogger Rosario Andrade said...

Ola everything...
Bem vindo ao I&I. Eu também me interesso muito pelo mirandes. Não sou uma grande entendida mas tenho muitas lembranças da minha infância, numa aldeia de Vimioso.
Aparece sempre!
Abracicos!

7:56 PM  
Blogger Silvio Vasconcellos said...

Olá, Rosário!
Obrigado pela visita ao meu blog e parabéns pela divulgação do Mirandés.
Fiquei impressionado com a descoberta, ainda mais que os dois maiores divulgadores (além de você), tem meu nome (Vasconcellos) e outro nome de minha árvore genealógica (Carvalho).
Poderia me informar se há alguma relação entre a origem desses nomes e essa região de Portugal?

5:05 PM  

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